Detençom e mais ingresso na prissom.

Denantes a começar a explicarem a questom da nossa estánçia na prissom e mais analiçar coma é o sistema carçelário gostaria de explicar polo miudo o nosso casso.

O dia 27 do Janeiro o estado espanhol entrou com fusís de asalto às 07:00am no meu antigo domiçílio, o qual perdim devido ao meu ingresso na prissom preventiva e mais polas filtraçóns poliziais ao jornal “La Razón´´ nas que me acussa absurdamente de se-lo braço armado do PKK. Haveria de perguntar coma pode se se-lo braço armado dumha guerrilha, que de por sim já estam armados. Mas bom, independentemente deste absurdo as acusaçóns son falsas e baseiadas num testimónio inventado e mais fraudulento. Onde quedou aquilo de que um é inoçente atê que amossem o contrário? Perguntade-lho à justiça espanhola, à poliçia e mais a “La Razón´´. Esse mesmo dia assovalharom outras 8 vivendas, de 7 membros do meu Partido e mais dum ativista procurdo. Dos quais 3 fomos condeiados sem juiço a prissom, outro membro do meu Partido e mailo curdo.

Perdemo-los nossos fogares, a gente nom gosta alquilar a “terroristas´´. Também perdemo-los nossos travalhos (pola mesma raçom) e mesmo as nossas pertenças, que majicamente e sem que conste em ningum sítio desapareçerom sem ficar rejistro da sua intervençom: roupa, livros e atê umha “play´´ 4… mas claro, a poliçia nom rouva cousas. Por isso denantes estavam e com o seu rejistro já nom estam. Em realidade é por que som uns meigos, os meigos da humor.

Perdemo-los nossos locais, fenderomno-la porta por nom estarmos com as chaves no rejistro, mas, como vai esta-la mesma pessoa em dous registros ao mesmo intre? Quando digeramos que lhes davamo-las chaves a outros companheiros e que lhas levariamos, a resposta fui: “acouga, temo.la nossa chave espeçial´´, “logo deijamo-lo tudo bem para que nom tenhades problemas´´; tra-lo qual esnaquiçarom o local e mais deijaro-no à mantenta aberto. Remate: uns toxicómanos ocuparom o local e esnaquiçaro-no tudo. Quando lhe chamarom para lho dizeres, a polizia dijo: “mas ainda seguem aí?´´; assim é a polizia deste àis, pior ca mais lamentável da república mais bananeira. Podemos olhar que os corpos da seguridade do estado seguem a ser tam professionais coma na ditadura. Alomenos podemos seguir a afirmares que seguem a se-los meigos da humor.

Esqueçia-o, também nos ilegaliçarom um ano. Diziredes: “que bom, alomenos só um ano´´. Mentira: em quanto cumpram o ano e tenham de continuar com a investigaçom por que nom há absolutamente nada alongara-no atê que queiram celebra-lo juiço, e vai saverem quando.

Nom ficava endiante nas declaraçóns dos meus companheiros perante o juiz mas sim quero contarem que a fiscal só me fizera umha pergunta, umha nimedade, e apontou umhas verbas. Logo descubrim para o meu assombro que as verbas forom “prissom sem fiança´´. E para “Soto del Real´´ que me mandarom junto aos dous companheiros dos que denantes falei. Eles sairom aos quatro dias com fiança, e perguntaredes, mas por que tardam quatro dias em saires se já tinham a petiçom da fiança dende o começo? Lembro-vos que nos atopamos perante “algo´´ feito à mantenta polos meigos da humor e maila democrâcia.

Dende esse 27 do Janeiro passei um total de 49 dias sequestrado polo estado, sendo inoçente e nom tendo que ver absolutamente nada com os pressuntos delitos que pretendem imputar-me.

Atê aquí e por nom perjudicarem a minha defensa a explicaçom prévia do que nom passou devido a esta montaje poliçial/judiçial previamente ao análisse da situaçom no próprio cárçere.

Cárçere em Espanha: Reinserçom ou extermínio e mais negóçio.

Agora analiçaremos um pouco coma é o cárçere. Nom coma no-la debujam através dos meios de comunicaçom, senom coma reialmente é, coma se vivie e mais sofre a vivir dentro do cárçere coma recluso:

Nada mais chegar ao cárçere com os meus companheiros depois de mais de 50 horas de aventura quitaromno-la nossa roupa a tratarmos nos cacheios coma se foramos saver que. Derom-nos um uniforme branco tinhoso de pressidiário, digerom-nos que num dia dabamno-la roupa que levavamos no intre da detençom, e aguardei e aguardei. Os meus companheiros sairom com fiança e seguim a esperar um total de sete dias atê que lhes veu em ganha dar-me a minha roupa, e ademais passaria outra atê que deijaram que passara o paquete com a minha roupa que meterom os meus amigos.

Levarom-nos direitamente a réjime FIES que é o módulo do ilhamente para pressos conflitivos, supostamente, na realidade é um módulo de extermínio dos pressos. De feito o primeiro FIES fui o do tipo 1, o de presos “conflitivos´´, mas coma quedava à luz que estavam a extermina-los deçidirom engadires 4 novos FIES. A nós tocou-nos o 3, o de banda armada, perguntaredes qual banda armada, eu tampouco sei a resposta… mas já savedes, os meigos da humor. No meu casso (digo no meu casso polos detalhes, mas o réjime é assim em geral) o réjime FIES consistiu em me ter fechado numha celda nojenta (nem me derom nada para limpar numha semam) 21 horas ao dia, as tres restantes dam-te ao pátio. Dito pátio, um pátio mui particular, se chove molhas-te coma os demais, e se nom sais pois 24 horas fechado. Um pátio miudo nem de 10 metros quadrados , nojento e sem nada que poder fazerem. Em numerosas ocassóns sacam-te só, 24 horas sem poder falar com ninguém. Ademas, a diferência do módulo normal, a comida está estritamente razionada, é dizer, é de mui mala calidade polo que aparte de incomunicado enriva passas fame.

É umha situaçom que voltaria tolo a qualquer, mas nom pensedes que é umha casualidade, fa-no à mantenta. O cárçere está montado coma um grande negóçio. O réjime FIES também, ainda que a menos escalada.

Muita gente quando sai do cárçere fala da façilidade que dá o cárçere (agora refiro-me só ao ilhamento) para o tráfico e mais consumo das drogas, mas creio que há que remarcarmos que nom só é que permitam que se mestura droga dum jeito “ilegal´´ ao centro, senom que eles mesmos através dos médicos menos profesionais que poidam chegar a concebir medicam (mesmo dumha maneira forçada) aos reios para que nom deam ningum problema. Para te-los alienados e nom poidam denunçiares os atropelos que sofrem a diário, para que nom poidam organiçar-se polos seus direitos , por que a pesare do que poida decavila-la gente, a maioria dos pressos de longa duraçom soiem ter bastante conciência de classe contra os carçeleiros e mailo estado. Por isso empregam as drogas e mailo ilhamento para extermina-los. Inventam causas contras eles e sofrem umha condeia tras outra que vam a acumulares atê chegar ao ponto de que algúns tentan pedire-la cadeia perpétua revissável por que seria umha melhora da sua situaçom, podedes majinares umha situaçom tal que leve umha pessoa rogarem que lhe apliquem umha perpétua? Decavilaredes que sou um esajerado mas olhei coma um presso que levava 31 anos na prissom, ingresou com 16 (polo antigo código) e davam-lhe mais de 40 “mencinhas´´ diárias e tinham-lhe no que se chama umha galaria curta. Isto o que quer dizerem? Que só estás com duas pessoas no ilhamento  (umha delas eu), é o ilhamento dentro do ilhamento, a galaria do castigo. Já nom é que permitam o ingresso das drogas ao centro, ou que deiam “mencinhas´´ que nom preçissam a pessoas desacougadas, se nom que ademais permitem o subministro de mencinhas determinadas que mesturando-se dumha determinada maneira podem chegar a fabricares drogas mui semelhantes às que se consomem no exterior, alentando o tráfico das drogas adentro do cárçere atê límites insospeitados.

A droga é un negóçio mui lucrativo, também o é dentro do cárçere. A droga é umha maneira de destrui-los homes, na cárçere é a forma mais cuidadose de assassinarem um home.

Mas o negóçio do cárçere nom remata aquí, agora fondeiamos onde reialmente se atopa o negóçio: os economatos, as tarjetas do telefone e maila mao da obra escrava. Analiçarei-nos por separado:

-Economatos: o jantar no cárçere é totalmente insufiçiente, o que fai que aqueles reios privilejiados que tenhem ingresos de dinheiro pola arta dos familiares, se lhes chega, (os meus estraviarom-se e nom mos derom em dous meses) poidam mercares no economato. Nele pode-se mercar jantar ou objectos de hijiene, cartas, selos, etc… aquí diziredes: -“enriva que tenhem direitos queijades-vos´´, “quase nom arretiram quartos´´- algum dizirá. E… o que passa se dijese que os que travalham nos economatos devem travalhares tûdos os seus dias de reios um mínimo de dez horas diárias sem remuneraçom algumha? É mao de obra escrava, legal e mais permitida. Qual negóçio nom serve quando obrigas a mercar e os teus travalhadores estam em piores condiçóns ca os escravos no Império Romam? Qualisquerfunçionário dizirá que sim som voluntários.

O desacougo é um grande problema para os reios, so tûdo senom tenhem cultura por que as suas condiçóns materiais (devido a este sistema capitalista assassino) nom lhes permitiu estudar e condeou-lhes à adeversidade. Depois chega um orientador social que te dá a escolher: cumpri-la tua condeia íntegra ou travalhar e conseguir pontos para o terçeiro grao. Já estás condeiado dentro da tua condeia, nom te queda outra, enfrontar-te ao sistema ou intentar sair quanto denantes. Disto aproveita-se para conseguir mao de obra escrava.
O ilhamento tem as suas peculiaridades ao respeito, a mim ofreçerom-me limpa-lo cárçere quatro horas diárias para que constase o meu bom comportamente já que sou preventivo e nom podiam ofreçer-me a chantaje coma lho fam aos reios condeiados. A minha resposta fui sinjela: sou um reio político, nom fago o travalho a ninguém aquí, e menos quem quer exterminar-me.
-Tarjetas de telefone: é o único jeito de te comunicar com o exterior dum jeito efetivo (logo falarei do por que as cartas nom). A mim por ser “perigoso´´ nem deijarom que fijese a chamada do ingreso, obrigatória porla lei, assinque tivem de aguardarem 10 dias para me poder comunicar em quanto me meterom a intervençom das comunicaçóns devido a que no FIES tês de entregar umha fatura do telefone para que poidam acredita-la. Coma se nom poideram averigua-lo sem mais. Que curioso que os islamistas radicais nom tenham que presentar nada e deijem fazer-lhes o que queiram (logo falarei disto). Assim tês de mercar obrigatoriamente umha tarjeta de telefone periodicamente. Voltamos ao mesmo, a Telefónica é a empresa das tarjetas, conta com clientes forçosos, nom tem competência, ou mercas ou ficas perdido. De novo o desacougo namentres eles estam a facturares deçeias de milheiros de euros por cárçere.
O cárçere é um negóçio em Espanha. Nom serve para se reinsertar, ou entras no negóçio ou estás fóra de tûdo. Tentei seguir a estudares (detiverom-me no primeiro dia da semam dos esames) e quando nom entrei polo aro nom mo permitirom: a primeira orientadora soçial de Soto del Real (o segundo orientador de Estremera era umha pessoa humá, a única que conheçim no cárçere) ria de mim a dizerem que os comunistas nom mereçiamos estudar, sequera jantar.
Nom existe a reinserçom no cárçere, so o negóçio e mailo extermínio. O sistema carçelário nom funçiona, so funçiona para as empresas e mailo estado que se lucram através delas. O que se enfronta ista vai a ilhamento, ser exterminado, mediante drogas, torturas, etc…
Políticos que deveriam estar enreiados e mais reios políticos em Espanha.
 
Fai-me muita graça olhar ao Ministro do Interior, Jorge Fernández Díaz, a encherem o peteiro do que luita Espanha fronte o ISIS quando Espanha e mailo o seu governo de traidores, felóns e mais vende mátrias som os que vendem armas a Turquia e mais Arábia Saudita para que estes lhas vendam a ISIS. Acusou-nos de terroristas por ter relaçóns (nom as temos) com os mesmos curdos ca os líderes da sua aliança reunirom-se. Se eu sou terrorista por isso ele é-o 200 vezes mais, devem mete-lo na prissom em ilhamento inmediatamente, já veriamos entom coma um dévil e mais pusilánime coma ele resiste a situaçom. Permitem a atividade do ISIS em Espanha para que reclute alegremente, e reprimem um Partido polo doado feito de ser solidários e nom renegar de aqueles que dezidem pola própria voltade emprende-la luita direita fronte o ISIS. Se em Espanha existe umha justiça independente o nosso juiço deve cairem com a maior celeiridade possível.
Também este pessoaje, que representa tûdos os valores da vergonha nacional, está siempre a afirmarem que em Espanha nom há reios políticos e que nom se limitam os movimentos da gente. Entom, por que nom deijam que saia do pais? Por que estivem no cárçere sem estar condeiado? Por que há gente reia por escrever na internete ou num jornal? Por que há reios sem ser avogados de determinada gente? Por que há reios por pertençeres a um Partido? Por que há reios por greves ou por se defenderes dos fascistas? Por que se imputa a gente por desobediência civil? Por que nom empregam o mesmo rasseiro com Veneçuela? Por que exterminam à gente com o réjime FIES? Por que o ministro nom é julgado coma o que reialmente é e nom está no cárçere? Por que o PP fica imputado por financiaçom ilegal, por corruçom e atê por organizaçom criminal e nom se ilegaliça e mais criminaliça e se ingressa no cárçere aos seus líderes? Por que só vam ao cárçere os luitador das esquerdas? A resposta é mui doada: o governo de Espanha é umha vergonha. Moramos um proçesso agudo da fascistizaçom e tûdos devemos  oponhermos de forma unitária fronte ele. Moramos um déficit democrático dende a reforma política que fui chamada transiçom. Preçissamos realiçares umha rachada democrática, que ceive a Espanha do lameiro no que a meteram tûdos os vende-mátrias reaçionários que nos governam.
Conheçim umha grande cantidade de reios políticos na prissom: galegos, euskeras, soçiais, anti-fascistas, a grande maioría sem ningum delito do sangue e que se enfrontam a condeias dum centeiar de anos. Dende aquí quero dá-las graças aos pressos euskeras que me ensinarom a me moverem no cárçere e me enfrontarem com valor e mais dignidade esta dura proba que por desgraça vivim.
É neçesário dar a conheçe-los cassos de tûdos os pressos políticos deste estado e mais luitar pola amnistia política para que esteiam em liverdade o denantes possível.
Ao ministro do Interior digo-lhe dende aquí que é mui difíçil destruirem quem nom está disposto a se renderem, quem lhe dá igual o cárçere ou sacrifica-la sua própria vida, que namentres mais taardem em ceder e mais açeitar a amnistia conquistara-se mais tarde ou mais cedo.
Nós nom somso criminais, somos comunistas. Podem destruirmos, encarçelar e mais torturar coma indivíduos, mas coma vanguarda da calsse revoluçionária nem nada nem ninguém pode determos. Com estas medidas nom eliminam a luita das classes, só creiam umhas condiçóns nas que vai se agudiçares ainda mais.
Vida no cárçere.
 
Só quero resenhar que do cárçere sai-se, que deves ter sempre umha atitude positiva, deves rejeitarem tûdo tipo das drogas, tentarem jantar o melhor possível, nom decavilarem no que esteiam a te fazeres se nom por que estás aí e que nom vam dobregar-te, seguirem a luitar no cárçere coma sempre luitaste fóra, fazerem umha ruta diária, disciplinarem coma endejamais fijeras, adestrarem mui forte, corpo e mais mente, deves ler, deves formar-te, o cárçere nom pode freiar a tua fromaçom política. De feito, é um bom intre para intensifica-la.
É importante que sejas consciente do por que ficas aí. Os reios políticos do estado som um ejemplo, som os que luitam polo futuro, por umha terra melhor, representam o progreso. Namentres que os que te mandarom aí representam as forças do passado, a tentativa de permaneçerem, podem tenta-lo quanto queiram, imos derruva-los.
Eu luito polo socialismo, polo marxismo-lenninismo, polo internacionalismo proletário, eles só polo dinheiro. Nós somo-lo futuro, eles som os refugalhos do passado.
Conclussom.
 
Escrevim esta carta para darem a conheçe-la minha situaçom e mais para animares à gente a que nom tenha medo à repressom, e sim tem nom importa. O que importa é saver soponher-se a esse medo. Nom pode permitir-se que o estado diga quem podo fazer o que perante ao medo à repressom, a repressom tem-nos que dar igual (na medida de nom freiar, nom de nom se precaveres). A mim o cárçere deu-me igual, nom deijarei de serem comunista por que ninguém diga isso ainda que me metam ao cárçere. Só me derruvariam se açeitara desapareçer a aguardarem a sua benevolência, quedar no fogar sem fazer nada. Isso seria traiçionare-los meus prinçípios comunistas, isso seria cair reialmente derruvado.
Porderradeiro quero agradeçer tûdos aqueles que estiverom a luitares e mais seguem a luitares pola nossa liverdade, auqeles que lhes dam igual as diferenças ou a rumorolojia e som pessoas reialmente solidárias. Também lamentavelmente quero terem umhas verbas para queles que botam um comunicado para se lavare-los foçinhos por que som umha vergonha de organizaçóns, por chama-las dalgum jeito, e negam fazer mais por ser diferentes ou tido “x´´ problema (ainda que seja imajinário). Para essa gente dizer-lhes que revissem, que quando lhes toque eles sim algum dia chegam a ser revoluçionários (nom lhes queda…) quereram que os demais nom sejam coma eles. Eu sem duvida ningumha estarei onde tenho de estarem, com os que luitam.
Roberto Vaquero.
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